Existe um jeito rápido de falar sobre um vinhedo: tamanho, localização, variedade. O nosso cabe numa linha. São 8,7 hectares de Malbec em Agrelo, Mendoza.
Mas quase nada importante cabe numa linha.
Pé franco: a planta sobre as próprias raízes
Desde o fim do século XIX, quando a filoxera devastou os vinhedos europeus, a maior parte das videiras do mundo passou a ser enxertada sobre raízes americanas, mais resistentes à praga. É uma solução que salvou o vinho. Também é uma solução que mudou o vinho.
Em Mendoza a história foi diferente. O clima seco, os solos e a forma tradicional de irrigação deixaram a filoxera menos agressiva, e muitas vinhas continuaram crescendo sobre as próprias raízes. É o que chamamos de pé franco.
As nossas têm mais de 26 anos e vêm de clones históricos da propriedade Las Compuertas, da Chandon. Não dizemos que isso torna o vinho automaticamente melhor. Dizemos que é uma planta com história própria. E que uma planta assim merece ser ouvida antes de ser comandada.
Antes de crescer, entender
Seria fácil plantar mais, produzir mais e encher um portfólio. Preferimos começar pelo outro lado.
Conhecer o solo. Entender por que um setor do vinhedo amadurece diferente do outro. Descobrir em que dia a fruta está pronta, e não em que dia o calendário diz que deveria estar. Perceber as pequenas diferenças que, no vinho, deixam de ser pequenas.
Não queremos simplesmente produzir Malbec. Queremos descobrir até onde um Malbec pode chegar.
Safra após safra. Parcela após parcela. Escolha após escolha.
Talvez um dia existam outras variedades aqui. Talvez outros vinhedos, em outros lugares. Não criamos a Turma com regras sobre onde ela deve terminar. Só com uma sobre quando avançar: quando existir uma boa razão.
Por enquanto, a razão está aqui. Em 8,7 hectares que ainda têm muito a nos ensinar.




Isso deixa o vinho melhor?